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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

10
Nov19

Tudo ao molho e fé em Deus - O codecity para o golo na bota de Vietto


Pedro Azevedo

O Sporting tinha jogado no sistema de 3-4-3 na Noruega. Hoje, contra o Codecity, começou o encontro num 3-5-2, melhorou após a meia hora quando mudou para 4-3-3 e marcou dois golos no momento em que já jogava em 4-2-4, significando isso que foi crescendo no jogo à medida que ia diminuindo o congestionamento de tráfego a meio campo. Ao tentar inicialmente conciliar três centrais com dois trincos (mais 2 laterais/alas que não davam profundidade), Silas acabou por involuntariamente recrear o Largo do Rato às 7 da tarde em dia de semana, provocando um engarrafamento que retirou fluidez à circulação pelo centro. Com tanta gente próxima e a colidir uma com a outra, o trânsito produzia-se num constante arranca-e-para que demorava uma eternidade até chegar a Bruno Fernandes. Com o seu médio de ataque e jogador mais criativo bloqueado, Vietto e Bolasie não tinham bola. Não se estranhou assim que nesse primeiro terço do jogo o Sporting não tivesse rematado uma única vez à baliza. O treinador leonino mexeu na equipa, trocando Neto pelo ala direito Rafael Camacho, descaindo Bolasie para a esquerda e ficando Vietto fixo no centro do ataque. Apesar das melhorias, só através de Eduardo e na sequência de uma bola parada é que o Sporting conseguiu executar um remate enquadrado na primeira parte, sendo que Bruno também causou perigo num livre directo que saiu rente ao poste. Um primeiro tempo paupérrimo!

 

Ao intervalo, o jovem Rodrigo Fernandes, que se estreou a titular aos 18 anos, foi sacrificado. Já tinha um amarelo e a equipa precisava de pressionar mais alto. Para o seu lugar entrou Doumbia. Com o ligeiro adiantamento no terreno de Eduardo começaram a ver-se 3 linhas no meio campo e a circulação tornou-se mais rápida. Mas o antigo jogador do Codecity continua a não dar à equipa aquilo que ela precisa, na medida em que não arrasta a bola com critério como um "8" deve fazer, perdendo-se assim inúmeras bolas pelo centro do terreno. Silas trocá-lo-ia por Luíz Phellype, mudando de novo o sistema de jogo. 

 

Com maior presença na área e Doumbia mais afoito do que vem sendo hábito, o Sporting acabou por resolver o jogo em dois lances insólitos. No primeiro, um jogador do Codecity evitou um pontapé de baliza a favor da sua equipa (remate torto de Luíz Phellype) e deu a possibilidade a Vietto de, num pontapé acrobático, abrir o marcador com um golo de belo efeito. No segundo, com 3 defensores azuis perto de si, o guarda-redes do emblema da Torre de Belém sacudiu a bola para o bis de Vietto, o argentino que foi o herói esta noite em Alvalade. Em ambos os golos, o desequilíbrio partiu da direita por via de Bolasie. 

 

O futebol é o circo romano dos nossos dias. Nesse sentido, o adepto vai à bola para se libertar das tensões acumuladas do dia-a-dia. Isso caso não seja do Sporting, porque um adepto leonino faz o contrário: discute com o cônjuge e embrenha-se no trabalho para se libertar da tensão acumulada nos jogos da sua equipa. É toda uma outra realidade, um outro mundo. Por exemplo: Javier Marias diz que o futebol é a recreação semanal da infância. Para um Sportinguista, é a projecção semanal da velhice. Duvidam? Um sócio ao meu lado hoje teve um esgotamento nervoso enquanto tentava assimilar o nosso momentâneo sistema de jogo. Outro entrou em hiperventilação. Um terceiro, um adolescente, ficou todo grisalho. No final, vários jovens mostravam preocupantes sinais de alopécia avançada. Não se faz. Silas diz que treina os jogadores em vários sistemas. Provavelmente fa-lo-á em quartos de hotel, dado que a proximidade dos jogos pouco tempo dará para os experimentar no campo de treino. Sugiro assim que se passem a fazer estágios só para adeptos. Sempre sairá mais barato do que andar a distribuir desfibriladores pelas bancadas dos estádios onde o Sporting joga. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": "Duetto", o novo Vietto. 

vietto codecity.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 11.11.2019

    É verdade, Leonardo! Não perco um jogo do Sporting por espírito de corpo, por obediência ao facho que recebi de meu pai e devo transmitir aos meus filhos que sinto mimetizam o que eu faço, mesmo que às vezes ver um jogo seja difícil e até agonizante (quanto mais padrão histórico temos, mais este momento perde na comparação e tem um peso praticamente insustentável). Mas também não sou do Sporting só pelos resultados, sou essencialmente por uma ideia de Sporting que, essa sim, me preocupa verdadeiramente estar a perder-se. Se não houvesse resultados, mas sentisse que o processo estava correcto... Assim, vejo-me confrontado que o sentimento de impotência de saber que tenho razão e ela não servir ao meu Sporting para nada...

    Saudações Leoninas
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