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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

20
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - Ovos K


Pedro Azevedo

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou. Para o maliano, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivaleu à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa, com um cartão amarelo a Acuña, o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas deve ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

luíz phellype.jpg

8 comentários

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    Pedro Azevedo 20.04.2019

    Um Nacional que parece ter baixado os braços, debilitado psicologicamente, não muito diferente do que apanhou duas mãos cheias de golos na Luz. Hoje, só Diaby podia ter marcado meia-dúzia. Já estou a ver o Mama Baldé (8 golos no campeonato) a aquecer o banco para que esse grande maliano (2 golos) mostre todo o seu enorme leque de soluções técnicas. E assim se vai desperdiçando dinheiro, com o custo de oportunidade adicional de nenhum jogador proveniente da nossa Formação se impor. Mas dizem que Keizer é da escola do Ajax e temos de nos conformar, mesmo que Peter Bosz tenha apostado nos miúdos todos e levado-os à final faz Liga Europa, Erik Ten Hah estar nas meias finais da Champions e Keizer...pois, Keizer esteve lá 6 meses, foi eliminado das prés da Champions e da Europa League e parece que não apostava muito no Frankie de Jong, um 6 certamente fora do seu padrão pelo qual o Barcelona deu uns simpáticos 75 milhões.
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    Luís Ferreira 20.04.2019

    https://www.abola.pt/Nnh/Noticias/Ver/783162
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    Pedro Azevedo 20.04.2019

    Caro Luís, sem tirar o mérito a alguém, quando tenho dúvidas sobre um tema consulto a imprensa local e vejo o transfermarket. Está lá tudo...Assim elimino a propaganda. Se for a ver, De Jong actuou na final da Luga Europa com Bosz e jogou muito mais tempo com Ten Hag depois da saída de Keizer.

    PS: já disse isto antes: Keizer tem uma ideia de jogo positiva e o nível geral das nossas exibições subiu face a Peseiro e Tiago. Os resultados nem tanto. Quanto à aposta na Formação, também já li na imprensa portuguesa um artigo onde se dizia que Keizer tinha lançado estes miúdos todos. Aconselho todos a consultarem a Ficha do Jogo da final da Liga Europa de 16/17 entre Ajax e Manchester United, com Peter Bosz ao leme.
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    Luís Ferreira 20.04.2019

    Vou ver isso melhor, mas propaganda a Keizer na four four two?
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    Pedro Azevedo 20.04.2019

    Pois, não lhe sei responder a isso. A notícia do lançamento dos bebés pós-vitória em Madrid saiu na imprensa portuguesa. Para contextualizar o que eu disse acima lanço deixo aqui este link retirado do Transfermarket, onde poderá ver a utilização de De Jong com Keizer e com Ten Hag. Repito: a única coisa que me importa é perceber que tipo de aposta Keizer faz na Formação, que creio não é tão clara como a de Peter Bosz ou Ten Hag. Então, aqui vai o link:
    https://www.transfermarkt.pt/frenkie-de-jong/leistungsdatendetails/spieler/326330/plus/0?saison=2017&verein=&liga=&wettbewerb=NL1&pos=&trainer_id=

    Já agora, aqui fica a Ficha do jogo do Ajax-Man U, final da Liga Europa, último jogo que Bosz fez ao serviço do Ajax, com uma recomendação: precisamos de mais um ala, ponham os olhos em Younes, ex-Ajax, actualmente no Nápoles, com um valor de mercado de 5 mihões segundo o Transfermarket.:
    https://www.google.com/search?q=ajax+man+u+liga+europa&oq=ajax+man+u+liga+europa&aqs=chrome..69i57j0l3.5494j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8#sie=m;/g/11hcz3sbms;2;/m/01hrtp;ln;fp;1;;

    Penso que ajuda a uma discussão serena e assente em factos. Um abraço, Luís.
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    Luís Ferreira 20.04.2019

    Estive a ver um pouco antes. De Jong chegou ao Ajax em 16/17 e foi para a equipa B, em que Keizer era o treinador. Nessa época fez 31 jogos pela equipa B (30 como titular; 2606 min) e 11 pela equipa principal, em que Bosz era o treinador (2 como titular, 282 min). É um facto que depois Keizer em 17/18 nos meses que esteve no Ajax não apostou em De Jong como titular. As razões para isso, não sei quais são. Às vezes, muitas vezes, é uma questão de timing. Wendel também não jogava com Jesus ou Peseiro e começou a jogar com Keizer.

    Simplesmente, Keizer já está no Sporting há cerca de 6 meses e julgo que podemos e devemos avaliá-lo pelo que tem feito cá e não por ter lançado ou não determinado jogador no passado. Como exemplo, Mourinho não apostou em Salah nem em De Bruyne. E o balanço de Keizer em minha opinião é positivo. A seguir ao jogo com o Villareal em Alvalade, pensei que tinha chegado ao fim da linha, mas deu a volta.

    Tenho uma certeza: Keizer vai ser aposta para treinador do Sporting em 19/20. Se isso é bom ou mau, ou se é treinador que aposta na formação, não tenho certezas. Sendo que eu preferia outro treinador e a questão de "aposta na formação" ou é assumidamente uma aposta do clube (como é o Ajax) e o plantel é construído para isso acontecer ou é difícil a qualquer treinador não escolher os jogadores mais experimentados do plantel, salvo casos de talento fora-de-série.
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    Pedro Azevedo 20.04.2019

    Estou de acordo consigo: ou há uma filosofia própria do clube imposta pela Administração no sentido de que se aposte na Formação como forma de sustentar económicamente o clube ou então será sempre aquilo que o treinador quiser. E aí, a necessidade de resultados imediatos afastar-nos-á sempre daquilo que seria melhor para o clube. Tem sido a nossa política desde Allison, só interrompida com Boloni. E a verdade é que com esse tipo de políticas só vencemos 1 tíitulo nacional desde 82, aliás ganho com brilhantismo por Inácio. Os títulos de Allison e de Boloni tiveram uma base interessante de jogadores da Formação.

    Por isso, acho Keizer um treinador interessante em termos de modelo de jogo, um senhor nas suas atitudes comportamentais e comunicação, mas simplesmente creio não ser o treinador indicado para o projecto do Sporting, pelo menos o projecto em que eu acredito, na medida em que todos os outros nos têm encaminhado progressivamente para a ruína.
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