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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

24
Set19

Tudo ao molho e fé em Deus - Plano D


Pedro Azevedo

(Estive para não escrever, até porque hoje não há ironia que me valha.)

 

Frederico Varandas dizia ter tudo controlado. Para além do Plano A, ainda havia o Plano B e até o Plano C. Ao fim de 8 jogos oficiais - vamos esquecer a pior pré-época da história do clube, concluída sem uma única vitória em seis jogos - descobre-se que também existia um Plano D. D de Derrota, mas também de David (Copperfield), que deverá ser o senhor que se segue como treinador. É que só por magia é que se põe esta manta de retalhos, a que se convencionou chamar plantel, a jogar bom futebol, tantos foram os equívocos da preparação da época. Não sei se era este o benchmark - 25% de vitórias, 25% de empates e 50% de derrotas - a que Francisco Salgado Zenha aludia enquanto esgrimia argumentos a favor do aumento do seu salário e dos salários dos restantes administradores da SAD, mas, se era, então tenho de dizer que também está ao alcance da minha filha de 8 anos, a quem tenho tentado mostrar que este inicio da época não é Experiência Sporting que se recomende ou que faça justiça à nossa história. 

 

Os resultados desportivos da equipa de futebol são só a ponta do icebergue à espera do Titanic, o tal que tinha fama de inafundavel até ao dia que naufragou para sempre. É o que geralmente acontece quando circunstancialmente o desempenho não nos deixa ver os erros no processo. Quando finalmente o desempenho desaparece ficamos sem nada por onde pegar - o estado actual das coisas. Os equívocos no processo eram mais do que evidentes: um presidente que não acredita em várias gerações provenientes da Academia contrata um treinador com fama de apostar em jovens. Esse treinador, que no Ajax se limitou a prosseguir a aposta conduzida por Peter Bosz numa equipa que havia chegado à final da Liga Europa, vai aceitando que se vão emprestando ou vendendo todos os jovens da Formação em idade sênior, ao mesmo tempo que intrigantemente perde as suas convicções iniciais de princípios de jogo, algo logo unanimemente aplaudido por uma CS desejosa de que o Sporting não saia do próprio labirinto que criou. Entretanto, primeiro Nani depois Dost, jogadores de qualidade saem do Sporting. Em contrapartida, desde Janeiro chegam 14 novos jogadores a Alvalade, algo que o presidente define como "contratações cirúrgicas", sem que se torne evidente um aumento de qualidade da equipa. A ida ao mercado traz mais problemas do que soluções ao ainda treinador leonino, o qual a fim de por a jogar Vietto acaba por alterar a sua ideia inicial de 3 jogadores de perfil no meio campo para um quadrado. Os que transitam da época anterior (des)esperam  até ao último dia sem saberem se ficam ou não. Qualquer um pode ser vendido a todo o momento, o que não contribui para a estabilização de um grupo de trabalho. A equipa vacila e Keizer é trocado por Leonel Pontes. Raphinha e Thierry saem no último dia do mercado. Em vez de irmos buscar um ponta de lança, a SAD promove uma ainda maior hiper-inflação de alas. Paradoxalmente, Leonel Pontes, que adoptara com sucesso o 4-3-3 na equipa de Sub-23 e estava perfeitamente consciente da abundância de alas, define um sistema de jogo que não contempla... alas. Entretanto, o único ponta de lança do plantel principal lesiona-se e o seu homólogo dos Sub-23 não é inscrito. Simultaneamente, o presidente diz ter contratado um "avançado centro" e o administrador Zenha declara que o Sporting se reforçou enquanto os seus rivais perderam jogadores, ao mesmo tempo que explana os seus argumentos para o aumento dos ordenados dos administradores da SAD em contra-ciclo com a narrativa ao mercado de "alívio salarial" em jogadores como Dost e Nani. No meio da alienação colectiva, da qual só Bruno Fernandes se parece salvar, um central experiente e muitas vezes internacional como Coates, de cabeça totalmente perdida, desata a conceder grandes penalidades e auto-golos aos adversários, num total de cinco acções desastrosas nos seus últimos 3 jogos. Confusos? De tão mau até parece ser de propósito, mas isto é somente o Sporting no seu pior. 

 

Ironia do destino: uma equipa desenhada pelo agente Mendes vai a Alvalade e dá o golpe fatal às aspirações Sportinguistas neste campeonato. Quem foi à espera do show de Jesé acabou a presenciar o Fama(licão) Show. O presidente? Depois de ter dito que só apareceria nos momentos maus, permaneceu em silêncio. Por certo agarrado à "casa das máquinas". Do Titanic...

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Bruno Fernandes, o ausente omnipresente, ou o "omniausente"

 

5 comentários

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    Pedro Azevedo 24.09.2019

    Artur, hoje não é fácil e adormecer ontem menos ainda. Houve nós que foram atados na preparação desta época que serão muito difíceis de desatar no futuro. Onde arranjaremos um Bas Dost por 6 milhões? Por que é que não demos uma hipótese a Domingos Duarte para dar ir buscar um Neto que certamente pesará muito mais nas contas anuais? Por que é que Matheus não cabia? Por que é que o Daniel Bragança não teve uma oportunidade? E o Geraldes? Este plantel já pouco tem a ver com o passado, foi feito à imagem de Frederico Varandas, o que torna tudo ainda mais evidente em relação à avaliação que se possa fazer da Estrutura.Enfim, o Sporting é um teste permanente à nossa resiliência e ao nosso amor, mas não lhe viraremos as costas num momento de adversidade..
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    Artur Albuquerque 24.09.2019

    Caro Pedro.
    Nunca irei virar as costas ao clube, que vem desde os meus avós e segue pelos meus filhos...
    Pagarei as minhas cotas e as dos meus filhos.
    Nunca deixarei de ser exigente e critico, não sigo modas e muito menos penso pela cabeça dos outros.
    Portanto e concordando mais uma vez consigo, as minhas criticas são sempre construtivas e factuais, por muito que custe a alguns Sportinguistas.
    Obrigado por continuar a ser como eu, resiliente e convicto nas suas ideias.
    Neste momento tão delicado aquilo que posso esperar dos meus consócios é a mesma inteligência, Anti qualquer coisa também não é comigo!
    Só apoio apenas um Anti, o Thierry de primeiro nome!

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    Pedro Azevedo 24.09.2019

    Gostei muito do seu comentário, caro Artur.

    Também gosto do Thierry Anti. Como antes gostava do Hugo Canela. Temos tido sorte (e engenho) na escolha dos treinadores do andebol.
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    Daniel 24.09.2019

    Caros, peço desculpa por me intrometer na conversa, mas pegando na deixa do Pedro sobre o engenho e sorte na escolha dos treinadores (não só no andebol) penso que isso se deve ao facto de as modalidades terem, cada uma delas, um director com competência, experiência e com um profundo conhecimento sobre o universo ao seu cuidado.
    No futebol, vemos constantemente os presidentes a assumirem esta "pasta", o que até poderia fazer sentido se alguns deles fossem ex-treinadores, ex-atletas, ou pelo menos que fossem comprovadamente conhecedores deste desporto, a generalidade dos que passaram em Alvalade nos últimos 30 anos não foram nenhuma destas coisas.
    Pior do que isso, sendo que existe um "treinador de bancada" em qualquer adepto e qualquer adepto acha que percebe tudo sobre futebol, não tenho dúvidas que muitos dos presidentes que passaram por Alvalade (incluído o actual) tenham sofrido do mesmo "achismo", como se o futebol fosse fácil, fácil...a realidade tem demonstrado que não é.
    É um mundo onde é necessário muito jogo de cintura para sobreviver e muito conhecimento técnico para perceber as carências da equipa, bem como definir o perfil de jogadores/treinadores para encaixar no projecto que pretendemos implementar e isto não está ao alcance de qualquer um, sobretudo no Sporting onde as dificuldades são multiplicadas por mil.

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