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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Jun19

Tudo ao molho e fé em Deus - Ronaldo é como a Fénix!


Pedro Azevedo

Fénix, ok? Fénix, não Félix... 

 

Quando o país soube que Cristiano Ronaldo se tinha juntado à equipa de João Félix, outrora designada por "Equipa de todos nós", logo se levantaram dúvidas se estaria à altura de tão grande responsabilidade. Para complicar ainda mais a coisa, o engenheiro deu uma de Paulo Bento e montou um meio-campo em losango que basicamente consistia em ter quase todos os jogadores fora da sua posição natural, pelo que todas as fichas estavam apostadas no imponente físico de Félix, a emparelhar na frente com Ronaldo, assim a jeito de uma alegoria da caserna (cartilhada) transformada numa hipérbole. 

 

Jogando Ruben Neves mais recuado, William foi desviado para a meia esquerda, Bruno Fernandes para a meia direita e Bernardo para o vértice mais ofensivo, táctica que ainda teve o senão de deixar Félix inoperante, sem espaço para recuar e receber a bola de frente para a baliza, o que teria sido possível se Portugal tem optado, por exemplo, por um 4-4-2 clássico. Mas, se a selecção não fosse a Turma do Félix, com Ronaldo no eixo do ataque, Guedes poderia ter entrado de início para a esquerda, Bernardo teria actuado pela direita, Bruno Fernandes seria o "10" e Neves e William jogariam mais atrás, num 4-3-3 provavelmente ideal para as características dos atletas que temos.

 

Assim, a coisa foi sofrível e só salva pelo irrequietismo de Bernardo e o génio daquele senhor (Cristiano) que veio visitar a Turma do Félix e a fez renascer como a fénix. Mas aí Bruno Fernandes ainda não se juntara a Félix... no banco de suplentes.

 

Na primeira parte, Ronaldo inaugurou o marcador com um "tomahawk", pôs um helvético a rodar a 45 rotações por minuto (ou não fosse a suiça Thorens uma referência mundial em gira-discos) e assistiu Félix para uma oportunidade perdida. Na etapa complementar, começou por tocar para Bernardo no lance da penalidade a favor que se transformou numa penalidade contra, ironia mais própria de um VAR aberto a altas horas da madrugada e que devolveu ao marcador uma expressão mais consentânea com a famosa neutralidade helvética. De seguida, servido por Bernardo, rematou raso e sem possibilidade de defesa. Por fim, a cereja em cima do bolo: bola recuperada no eixo central por Bruno, passe deste para Guedes, solicitação para Ronaldo na meia esquerda e grande jogada individual do madeirense, com uma chicuelina que tirou dois adversários da frente e abriu um buraco digno de um queijo suiço. Emmental, meu caro Watson(!), Ronaldo é o melhor jogador do mundo. Infelizmente, parece que é só o segundo melhor jogador português...

 

P.S. Para além de Ronaldo e de Bernardo, gostei de Ruben Dias. William e Bruno Fernandes, apesar de jogarem fora da sua posição natural, estiveram bem a espaços. Guedes entrou muito bem, dando outra dinâmica ao ataque. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo (hat-trick, 88 golos na Selecção)

 

ronaldo suiça.jpg

3 comentários

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    Pedro Azevedo 06.06.2019

    Rui,

    os jornais querem convencer-nos de que João Félix vai ser o primeiro Bola de Ouro com dentes de leite. É um exagero! O Benfica não precisa de ter um departamento de marketing, porque benfiquistas influentes instalados nas mais diversas instâncias e com protagonismo mediático tratam sozinhos do assunto. Claro, assim o Benfica valoriza os seus activos, mas será isso bom para o jovem? Ele é inegavelmente talentoso, mas veja como foi fácil para ele chegar à Selecção e ser logo titular. Ao passo que o Bruno Fernandes... Eu tb desejo bem a toda a gente, mas a intoxicação permanente incomoda um bocadinho e, no caso concreto e outros semelhantes, muitas vezes estraga os jogadores. Bom, pelo menos serviu para o Ronaldo mostrar quem é o número 1. Às vezes é preciso abanar um bocadinho este estado de coisas. O país está cada vez mais parecido com aquela música dos Taxi. Tudo é efémero, se o Félix tiver algum azar (Diabo seja cego, surdo e mudo...) logo aparecerá um outro para a sociedade de consumo imediato. Chiclete mastiga, chiclete deita fora....

    Um abraço
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    JG 06.06.2019

    Julho que o João Félix é muito bom jogador. Parece-me ser o melhor resultado da formação dos nossos vizinhos. Muitos de nós acham que o miúdo é bom e tem coisas que os outros não têm.
    Outra coisa é merecer ser titular pela selecção. Não é que venha daí mal ao mundo. Nem mal nem bem antes pelo contrário. A selecção é a maior e mais duradoura expressão de um caos meticulosamente organizado. O grande engenheiro que sustenta este caos e impede a sua implosão é um madeirense que acredita no trabalho e na perseverança como componentes fundamentais do sucesso. Alguém que se habituou desde cedo a vencer dificuldades maiores do as que era justo enfrentar. Hoje, depois de Fernando Santos ter transbalhado os jogadores pelo campo, sem rei nem roque, Ronaldo decidiu decidir a sorte do jogo e mostrar que rei só há um: ele próprio, o filho da embaixadora Dolores Aveiro. Faça o engenheiro os disparates que fizer, seja ele célere ou não a tentar arranjar novas estrelas ou a acelerar inopinadamente o processo de afirmação de estrelas emergentes -enquanto faz de cego face ao valor de quem mostra há dois anos ser o melhor jogador a actuar em Portugal - quem no final o resgata do fundo do poço para onde se atira com o peso todo da confusão que o alucina é o jovem que há 21 anos impressionou o mestre Aurélio Pereira e que aos 34 anos mostra ao mundo que ainda impressiona e surpreende quem com ele se depara. Várias vezes assim tem sido e hoje mais uma vez Ronaldo foi ao fundo do poço recuperar o engenheiro. A relação de Fernando Santos com a selecção é a mais duradoura história de um náufrago e do seu incansável salva-vidas.
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