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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

28
Jun21

Tudo ao molho e fé no Euro21 (ou 20)

Sorte e Hazard...


Pedro Azevedo

A sorte e o azar fazem parte do jogo, mas quando a preparação encontra a oportunidade certa estamos mais perto de ser felizes. Há 5 anos atrás, no prolongamento do jogo dos oitavos-de-final contra a Croácia, Rui Patrício viu a bola beijar o poste direito da sua baliza. No contra-ataque que lhe sucedeu, Ricardo Quaresma marcou o golo que nos qualificou para o mata-mata seguinte. Ninguém acentuou a tónica na sorte lusa ou no azar croata, a imprensa essencialmente assinalou que Portugal ia em crescendo, sendo que a aposta de Fernando Santos em Adrien (secou Modric) para acompanhar William e João Mário - criando-se assim uma coluna vertebral com centro nevrálgico no Sporting - foi dada como determinante para a difícil vitória obtida. A mesma sensação de progressão de Portugal como equipa, já sentida anteriormente aquando do jogo com a França, ficou bem patente ontem em Sevilha. É por isso duro aceitar que tenhamos ficado pelo caminho nestas circunstâncias. Todavia, olhando mais friamente para o processo, é seguro dizer-se que ficámos a meio caminho de uma renovação que nos poderia ter levado ao triunfo. Não deixando de realçar aqui e dar crédito ao facto de a nível do meio-campo ter havido um atempado ajuste - nenhum dos 3 jogadores ontem titulares havia entrado de início nos dois primeiros jogos deste Europeu - , parece-me que a insistência de Fernando Santos num Bernardo Silva em má forma em detrimento de Pote (melhor marcador do nosso campeonato e jogador com passe, golo e inteligência na exploração do espaço entrelinhas) ou mesmo André Silva (circustância em que Ronaldo partiria marcadamente a partir de uma ala, o que defensivamente nos colocaria adicionais problemas perante uma selecção com alas todo-o-terreno) tirou acutilância ao nosso ataque e nem sequer deu uma protecção defensiva adicional à nossa Selecção (Bernardo chegou visivelmente atrasado ao encontro com Thorgan Hazard aquando do golo belga). Assim, não se pode dizer que a vitória belga tenha acontecido por acaso. Pelo contrário, se um jogo é feito de pequenos erros, o atraso de Bernardo na abordagem ao lance provocou o desequilíbrio que na sua origem vir-se-ia a revelar fatal para as nossas aspirações. Não se trata de crucificar Bernardo, até porque a abordagem de Patrício ao lance foi defeituosa (teria bastado um passo em frente ou para a sua esquerda para defender uma bola que entrou sensivelmente a meio da baliza), mas vistas à lupa as coisas são como são. 

 

O principal problema das fases finais das grandes competições mundiais de selecções é o cansaço acumulado que se verifica por saturação de jogos nos melhores jogadores. Por isso, o histórico destes campeonatos é marcado pelo aparecimento de revelações e não tanto pela afirmação dos grandes craques. A frescura torna-se um elemento essencial e não será despeciendo pensar que um dos últimos grandes jogadores que brilharam numa fase final de uma grande competição, Van Basten, beneficiou de ter vindo de uma lesão que lhe poupou grande parte do desgaste da época no AC Milan. Como tal, torna-se fundamental aproveitar o momento de forma de cada jogador e não valorizar excessivamente o seu estatuto. Nesse sentido, Fernando Santos foi procurando adaptar-se progressivamente a esse contexto, mas fica a sensação de que poderia ter feito mais alguma coisa. Ainda assim, a Equipa de Todos Nós perde um jogo que poderia facilmente ter ganho, assim a eficácia tivesse sido razoável. Diogo Jota, por duas vezes, Raphael Guerreiro, Rúben Dias ou André Silva desperdiçaram 5 boas oportunidades e Courtois negou-nos o golo em 3 ocasiões, pelo que Portugal sai do Euro deixando uma boa imagem. Simplesmente, ontem Nª Senhora de Fátima meteu folga. Concomitantemente, Ronaldo, que até fez um muito bom Europeu, não teve oportunidades para marcar, as bolas para golo caíram nos pés e cabeça de outrém, sendo que esse até foi provavelmente o nosso grande azar. Ou Hazard, se quiserem.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Renato Sanches. Criou a primeira grande oportunidade do jogo logo aos 6 minutos, após arrancada perpendicular aos centrais belgas que permitiu a Jota uma situação privilegiada para alvejar a baliza de Courtois. Noutra ocasião, passou De Bruyne e Witsel num misto de força e velocidade e abriu exemplarmente na direita, criando um desequilíbrio a que faltou a continuidade dos outros jogadores. No segundo tempo voltaria a levar Portugal para a frente. Já muito cansado, acabaria rendido a pouco mais de 10 minutos do fim. Deu tudo o que tinha.

 

P.S. Optei por um "Tudo ao molho..." mais analítico. O meu sentido de humor ainda não se reencontrou após as "moules" com batata frita que me custaram a engolir ontem.

lukakuronaldoASF.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 28.06.2021

    Caríssimo JG, obrigado pelas suas palavras e sátira envolvida no seu comentário. Eu hoje não consegui.

    Na primeira parte o jogo foi de xadrez, o tipo preferido de Fernando Santos. Também teve laivos de andebol, a bascular-se a bola da esquerda para a direita e da direita para a esquerda sem outro propósito que não fosse alguém adormecer na marcação e se pudesse rematar à baliza. Os treinadores dirão que assim se controlou o jogo. O controlar o jogo está para a Tactica como a intensidade está para a componente física ou a atitude está para o plano mental. São jargões da bola que na verdade não significam grande coisa, mas servem para os ditos treinadores fazerem umas flores. O povo adora.

    No segundo tempo a coisa decorreu ao melhor estilo do Tudo ao molho e fé em Deus. Fomos para cima deles que nem tarzões, mas na verdade não se pode dizer que a maioria das nossas oportunidades tenha surgido de lances bem gizados. Houve, sim, muita vontade de ganhar e muitos jogadores lançados no ataque. Até o Pepe, às tantas, ficou lá na frente a ganhar sucessivas bolas divididas e a mostrar que aos 38 anos é um jovem e um exemplo para os mais novos. O nosso Palhinha também fez o possível. Estorvou o Lukaku, o De Bruyne e os que lhe apareceram pela frente e ainda procurou o golo. Mostrou pisar terrenos mais amplos que o Danilo ou o William, mas isso também não é propriamente um grande cartão de visita. Em todo o caso, é o melhor que temos ali. Realizou uma grande época no Sporting e foi o nosso único jogador que terá saído valorizado neste certame. Já o Pote e o Nuno Mendes cumpriram como substitutos dos pinos. Não se lesionaram nem provocaram desgaste do material de treino. Receio porém que entre insolações e queimaduras solares o nosso departamento médico vá ter algum trabalho para os por no ponto. Já se sabe, estas lesões nascidas no âmbito da presença nas seleções são sempre um problema para os clubes…

    Um abraço para si e

    Saudações Leoninas
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