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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

23
Nov19

Uma casa não se constrói pelo telhado


Pedro Azevedo

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de jogo e um conjunto de princípios que são incorporados desde a base (Formação). Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior, a última estação de linha de produção da nossa fábrica de talentos. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, com um Director Técnico (e não "desportivo") como pensador de todo o futebol do clube, recorrendo a treinadores que se adequem a essa filosofia ou formando os seus próprios treinadores, ou, em alternativa, se essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, à semelhança do que vem acontecendo de há anos a esta parte, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas? Para mim, não restam dúvidas sobre o caminho que mais facilmente optimizaria o que produzimos. E creio que haver um consenso sobre isso enquanto ideia de base seria bem mais importante do que a necessária melhoria das infraestruturas existentes. 

escolas-academia-sporting-1.jpg

2 comentários

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    Pedro Azevedo 24.11.2019

    Caro JG, também defendo que um clube formador por excelência como nós deveria ter um modelo de jogo proprietário. A meu ver isso só será possível quando tivermos alguém capaz de pensar todo o futebol do clube. Não é remendar, é pensar de alto a baixo todo o futebol, superintendendo gestão de activos e scouting e integrando métodos na Formação. Eu vejo o futebol do Sporting como uma fábrica. Dinheiro bem gasto será em pesquisa e desenvolvimento. Na produção, é preciso garantir que a última estação de desenvolvimento do produto não está a obstruir o fabrico. Eu gostaria de ter um Director Técnico no clube, um homem como Jesualdo Ferreira, que só reportasse ao presidente e tivesse capacidade de pensar e implementar todo um novo modelo.
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