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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

28
Jun19

Varandas para Cintra


Pedro Azevedo

Não morrendo de amores por Sousa Cintra, não consigo desgostar dele. Agrada-me tanto aquele seu estilo voluntarioso e optimista quanto me desagrada a sua atracção fatal por microfones e câmaras de televisão, ou a impulsividade que marcou a sua primeira passagem pelo clube. Essencialmente, valorizo o facto de ter chegado a Alvalade em dois períodos particularmente difíceis do clube e de em ambos ter evitado o vazio, o caos, resistindo em ambos à tentação de perpetuação no poder e abrindo o lugar a outros. Inclusivé, num desses períodos conseguiu criar a melhor equipa - conjuntamente com a de 74, que marca o início das minhas recordações de futebol e do Sporting - que vi jogar em Alvalade. Em contra-ciclo, também foi capaz de despedir o treinador que a orientava durante o vôo de regresso a Lisboa posterior à derrota sofrida em Salzburg.

 

Ontem, em entrevista à SportingTV, Frederico Varandas acusou Cintra de irresponsabilidade e de ter dito um "chorrilho de disparates". É certo que Cintra anteriormente dera uma entrevista de que Varandas, compreensivelmente diga-se, não gostou. Eu mesmo caricaturei aqui a capa de "A Bola" alusiva a essa entrevista. Mas uma coisa é o direito legítimo de alguém que se sente desconsiderado (mais do que desrespeitado, o termo que usou), outra foi a forma encontrada de resposta. Cintra é um sócio do Sporting, e Varandas, durante a campanha eleitoral disse variadíssimas vezes que nunca atacaria sócios do clube. É também um ex-presidente. Na minha opinião, Varandas não soube ler as entrelinhas da referida entrevista, ou viajar ao filtro do antigo presidente. Sousa Cintra viu neste regresso ao Sporting uma oportunidade de melhorar a sua imagem junto dos sportinguistas, a qual ficara um tanto ou quanto beliscada por aquela decisão prematura de despedir Robson. É por isso entendível e humano que se queira associar ao relativo sucesso da época e que, sentindo-se esquecido pela actual Direcção, puxe pelos louros do seu trabalho. Reverteu os processos de rescisão de Bruno Fernandes - de quem Varandas disse que melhorou muito com Keizer, o que é verdade, mas com quem o treinador holandês não teria contado se não fosse a acção de Cintra - , Dost e Battaglia, e contratou Renan, Gudelj e Diaby, jogadores que foram indiscutíveis para Keizer, exactamente o treinador que Varandas escolheu, pese embora seja conhecida a minha posição sobre a relação custo/benefício (e custo de oportunidade) dos dois últimos. 

 

Sousa Cintra, na minha opinião, não atacou devidamente o problema do custo do plantel, embora se possa dizer em sua defesa que perante tanta indefinição no dossier rescisões se tornou difícil prever com que jogadores contaria. Nesse contexto, o afastamento de vários miúdos da nossa Formação terá sido o seu maior erro, com Demiral à cabeça. Erros, faltas de convicção do qual o futebol do Sporting é fértil há vários anos e que um dia poderão também ser assacados a Varandas, que mesmo dizendo que vai cortar na despesa continua a contratar e a manter a cisma contra a faixa etária 17/23 anos da Formação do Sporting. (Um dia alguém lhe há-de perguntar se são os técnicos da Formação e equipa principal que pensam assim, se é uma convicção pessoal sua, ou se isso envolve motivações políticas.)

 

Finalizando, Frederico Varandas perdeu ontem uma oportunidade de ouro de fazer a diferença, de ser magnânimo e de mostrar que quer unir o Sporting. Poderia ter mantido o que disse em campanha eleitoral, não deixando de acusar o toque (por exemplo, dizer que tinha ficado triste), mas alardeando que em nome dos superiores interesses do Sporting (e não dos seus) iria ficar em silêncio. Com isso, teria mostrado sentido de estado e vontade de colar as peças. Preferiu seguir na linha de um passado recente no clube de exuberância irracional e respondeu com contundência, acusando de ser irresponsável um senhor que podia ser seu pai, ou mesmo quase avô, mostrando falta de educação e de respeito para com o cidadão, sócio e ex-presidente. Perante isto, resta-me esperar sinceramente que este episódio desagradável não seja marcante da personalidade do actual líder dos destinos do leão. 

6 comentários

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    Pedro Azevedo 28.06.2019

    Em bom rigor, a entrevista de Cintra vem na sequência de uma omissão constante do seu nome e de uma peça no Jornal Sporting assinada por um executivo da SAD, onde numa análise do enquadramento da chegada da nova Direcção é, às tantas, escrito "Comissão de Gestão(?)". Na altura li aquilo e não achei correcto, pese embora considere que houve erros evidentes na CG e administração da SAD. Só que a diferença para muita gente é que eu apontei-os na altura, enquanto muitos que achavam que Cintra merecia uma estátua agora também acham bem ter sido insultado. Está certo assim, fiquemos então com esse "achamento", como dizem os nossos amigos brasileiros. Eu prefiro a coerência. Quanto a BdC, a quem é que acha que eu me refiro quando uso o termo popularizado por um ex-presidente da Reserva Federal Americana (FED), Alan Greenspan (exuberância irracional)?

    Cumprimentos
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    RCL 29.06.2019

    Sousa Cintra, quando fala, devia lembrar-se que foi presidente durante 6 anos. Agora leva com o dito :Varandas e Keizer ganharam mais num ano do que o Homem das águas em 6.
    E é verdade. Grandes equipas teve o Sporting sempre.
    Dos antigos presidentes só Sousa Cintra e Bruno de Carvalho andam por aí a maldizer. Porque será? Falta de ocupação?
    SL
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    Pedro Azevedo 29.06.2019

    Se atentar à desproporção da resposta, compreenderá melhor o texto. O 25 de Abril foi há 45 anos, mas continua a haver falta de democraticidade. Para alguns, haver quem se defenda ou questione certas coisas é sinal de desestabilização. Os sócios podem e devem pronunciar-se, porque isso é sinal que têm ideias e que o clube está vivo. O presidente deve saber escutar, valorizar o que é construtivo e desvalorizar e não dar importância ao que é puramente destrutivo. Também deve poder falar, obviamente, deve é refrear-se de recorrer a linguagem insultuosa para com sócios. E deve ter sempre em conta que o Sporting está em primeiro lugar. Em relação a esta matéria: o teor do meu texto é sobre urbanidade. Também muitos batiam palminhas aos discursos de BdC e eu sempre achei que o ponto mais fraco dos seus mandatos era o excesso de adjectivação. Deu no que deu. Na minha óptica, Cintra quis aproveitar uma segunda oportunidade para deixar uma melhor impressão entre os sportinguistas. Acho que isso é humano. Se compreendermos isto, percebemos melhor uma ou outra farpa. A resposta achei excessiva, talvez porque ainda tenha a noção - pese o tempo em que vivo, as redes sociais, os conflito de interesses que se associam a certas "opiniões", ou simplesmente o situacionismo, ou os dois pesos e duas medidas que alguns gostam de usar na análise das situações - do que é a educação. O resto, as motivações das coisas, porque é que A ou B se comportam de uma determinada maneira deixo para os "experts" nessas matérias, não faço processos de intenção sobre ninguém.

    Gostei de ouvir FV falar em sustentabilidade, nos cortes que são precisos fazer nos custos com pessoal (desejo que na classe média/baixa do plantel)... Afinal, algumas coisas que publiquei sobre essa matéria não eram desestabilização. Ah, espera lá, talvez se enquadre naquela ideia de que os sócios falam sem conhecimento, não é?
  • Sem imagem de perfil

    RCL 29.06.2019

    Pedro Azevedo
    Entendo a sua argumentação e obrigado por gastar tanto tempo comigo.
    Hoje, dia de São Pedro, no Brasil, comemora-se o primeiro campeonato do Mundo ganho pelo Brasil na Suécia(2x5)
    Também em 1958 comemorei o 10º campeonato do Sporting (hoje seria o 14º??). Em 61 anos o Sporting ganhou mais 8 campeonatos, os concorrentes encheram o saco.
    Porque?? Grandes equipas teve o Sporting que ganharam Bola (em homenagem ao último). O Sporting raramente teve sossego. Pinto da Costa diz, há anos, aos seus :"não se preocupem com o Sporting que eles lixam-se uns aos outros".
    Temos agora mais um exemplo, Um ex-presidente dá uma entrevista a um jornal "amego" no início da época quando ainda há jogadores a sair e outros a entrar. Ainda por cima dá uma de Nhaga e advinha que com Peseiro o Sporting seria campeão. Como o próprio em 6 anos.
    Já é tempo dos ex saírem de cena porque já não são da cena.
    Bom Fim de Semana,
    SL
  • Imagem de perfil

    Pedro Azevedo 29.06.2019

    Caro RCL,

    ganho sempre tempo consigo, já lho disse. Podemos discordar, mas de uma certa forma concordando.
    Eu próprio caricaturei o que Cintra disse sobre o campeonato. E daí? Foi um ‘wishful thinking’. A resposta foi desproporcional, disso não tenho dúvidas. Na vida não temos de andar sempre a apagar os feitos dos outros. Isso origina novos recomeços, porque ninguém tem a humildade de reconhecer que algumas coisas boas foram feitas.

    Falando sobre os sócios: esse é o meu maior pinto de discórdia consigo. Para mim, a vitalidade do Sporting decorre das ideias dos sócios, do seu interesse, opiniões. Um clube moribundo é um clube monolítico, empedernido, em que ninguém se manifesta. Um líder não dece recear as críticas, pelo contrário dece estimula-las. Retira-se sempre muito mais valor de uma crítica do que de um elogio - para ver como isto é genuíno da minha parte eu já lhe disse isto numa das nossas conversas anteriores - , pois pode haver sempre contribuições que possam acrescentar algo. O Sporting em que acredito, o Sporting que um dia será vencedor, é um clube que traz os sócios para o seu seio e os estimula a participar, a dar ideias. Isso não retira autoridade a quem deve ter a decisão final, reforça-a. O que vejo, de novo, são preocupantes sinais de como é vista a participação dos sócios: em vez de ser bem recebida, as críticas já são vistas como maldosas, ou como desconhecedoras da realidade. E porquê? Porque, exactamente como no passado, há sempre uma obsessão de quem dirige em confundir crítica com oposição. Assim, em vez de se estimular a opinião de cada um, tenta cortar-se à partida o sentido crítico. Não é um bom caminho o caminho em que a prevalência do ‘eu’ se sobreponha aos superiores desígnios do Sporting Clube de Portugal.
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